Resposta rápida
- A corrida é segura para a grande maioria, mas tem riscos que podem ser reduzidos: no maior estudo de provas nos Estados Unidos, a parada cardíaca foi rara, com 0,54 caso a cada 100 mil participantes.1
- Os casos se concentraram em homens e em maratonas, e as causas mais comuns foram doença coronariana e cardiomiopatia hipertrófica — condições que uma avaliação médica pode ajudar a investigar.1
- Lesão é bem mais comum que problemas cardíacos: cerca de 40% dos corredores se lesionaram no período estudado, numa revisão sistemática.2
- Iniciantes se machucam mais por hora de treino, o que torna o planejamento da progressão especialmente importante no começo.3
- Comer pouco para o quanto se treina pode prejudicar saúde e desempenho, em homens e mulheres, segundo o consenso de 2023 do Comitê Olímpico Internacional.4
Atualizado em outubro de 2026.
Muita gente procura o médico do esporte só quando a dor já não deixa correr. Mas ele pode ajudar antes: na hora de começar, quando decide fazer a primeira prova longa, quando os resultados param de evoluir ou quando o cansaço não passa. Veja, com base nos estudos, onde essa ajuda faz mais diferença.
1. Avaliar o coração antes das provas
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine analisou maratonas e meias maratonas nos Estados Unidos entre 2000 e 2010, com 10,9 milhões de corredores.1
- Houve 59 paradas cardíacas, uma taxa de 0,54 a cada 100 mil participantes — um risco baixo.1
- A taxa foi maior na maratona (1,01 a cada 100 mil) do que na meia maratona (0,27) e maior em homens.1
- As causas mais comuns foram cardiomiopatia hipertrófica e doença coronariana aterosclerótica.1
- A reanimação iniciada por quem estava por perto foi um dos principais fatores ligados à sobrevivência.1
Como o médico ajuda aqui
Na consulta, o médico avalia histórico pessoal e familiar, sintomas como dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações e desmaios, mede a pressão e examina o coração. Quando indicado, solicita exames como eletrocardiograma ou teste ergométrico. Veja mais em check-up antes de treinar e dor no peito no treino.
2. Prevenir e tratar lesões
Numa revisão sistemática, a incidência média de lesões entre corredores foi de 40,2%, e o joelho, o tornozelo e a perna foram os locais mais atingidos.2 Uma meta-análise mostrou que iniciantes têm cerca de 17,8 lesões a cada 1.000 horas de corrida, contra 7,7 em corredores recreativos.3
O médico do esporte faz o diagnóstico da dor, identifica erros de carga e monta um plano de retorno que mantém você ativo sempre que possível. Veja o guia completo sobre lesões na corrida.
3. Garantir energia e nutrientes para treinar
O consenso de 2023 do Comitê Olímpico Internacional descreve a deficiência energética relativa no esporte (REDs): um conjunto de prejuízos à saúde e ao desempenho em atletas, homens e mulheres, expostos a baixa disponibilidade de energia — ou seja, que comem pouco para o quanto treinam.4
Isso é comum em quem aumenta o volume de corrida ao mesmo tempo em que tenta emagrecer. O médico avalia sinais como cansaço persistente, queda de desempenho, alterações menstruais e fraturas por estresse, e pode investigar problemas como a falta de ferro em quem treina. Você também pode estimar sua disponibilidade energética.
4. Preparar a primeira meia ou maratona
Atenção: orientação prática
Os pontos abaixo são orientações gerais, não resultados dos estudos citados.
- Planejar a progressão do volume semanal, sem saltos grandes.
- Testar a estratégia de carboidrato e hidratação nos treinos longos. Use as calculadoras de carboidrato na corrida e de taxa de sudorese.
- Ajustar medicamentos e doenças como pressão alta, diabetes e asma ao treino.
- Definir zonas de treino com a calculadora de frequência cardíaca.
Quando marcar a consulta
- Antes de começar a correr, se você tem mais de 35 a 40 anos, alguma doença crônica ou ficou muito tempo parado.
- Antes da primeira prova longa.
- Se aparecer dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações ou desmaio — nesses casos, pare o treino e procure avaliação.
- Se uma dor não melhora em 1 a 2 semanas ou o desempenho caiu sem explicação.
Veja como funciona a avaliação médica para atividade física.
Perguntas frequentes sobre o médico do esporte na corrida
Correr maratona é perigoso para o coração?
O risco é baixo. Num estudo com 10,9 milhões de corredores nos Estados Unidos, houve 0,54 parada cardíaca a cada 100 mil participantes, com taxa maior em maratonas e em homens.
Preciso de exame antes de começar a correr?
Depende da idade, do histórico e dos sintomas. O médico do esporte avalia cada caso e indica exames, como eletrocardiograma ou teste ergométrico, quando necessário.
O que o médico do esporte faz por quem corre?
Avalia o coração e a saúde geral, previne e trata lesões, orienta a progressão do treino, a energia e a nutrição, e ajuda a preparar provas.
Correr e fazer dieta ao mesmo tempo faz mal?
Comer pouco para o quanto se treina pode causar a deficiência energética relativa no esporte, com prejuízos à saúde e ao desempenho, segundo o consenso de 2023 do Comitê Olímpico Internacional.
Quando procurar o médico por causa de uma dor na corrida?
Quando a dor piora durante a corrida, faz você mancar, fica num ponto do osso ou não melhora em 1 a 2 semanas de redução do treino.
Referências
- Kim JH, Malhotra R, Chiampas G, d'Hemecourt P, Troyanos C, Cianca J, et al. Cardiac arrest during long-distance running races. N Engl J Med. 2012;366(2):130-40. doi:10.1056/NEJMoa1106468
- Kakouris N, Yener N, Fong DTP. A systematic review of running-related musculoskeletal injuries in runners. J Sport Health Sci. 2021;10(5):513-522. doi:10.1016/j.jshs.2021.04.001
- Videbæk S, Bueno AM, Nielsen RO, Rasmussen S. Incidence of Running-Related Injuries Per 1000 h of running in Different Types of Runners: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Med. 2015;45(7):1017-26. doi:10.1007/s40279-015-0333-8
- Mountjoy M, Ackerman KE, Bailey DM, Burke LM, Constantini N, Hackney AC, et al. 2023 International Olympic Committee's (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). Br J Sports Med. 2023;57(17):1073-1097. doi:10.1136/bjsports-2023-106994

