Resposta rápida
- O exercício é seguro para a maioria das pessoas, e os riscos cardiovasculares diminuem à medida que a pessoa fica mais ativa e condicionada.1
- O American College of Sports Medicine (ACSM) define quem precisa de avaliação a partir de três fatores: o quanto a pessoa já se exercita, a presença de sintomas ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal, e a intensidade que ela pretende treinar.1
- Eventos cardíacos ligados ao exercício costumam ser precedidos de sinais de alerta, que não devem ser ignorados.1
- Parada cardíaca durante o esporte é rara: num estudo com adultos de 35 a 65 anos, apenas 5% das paradas cardíacas aconteceram durante atividade esportiva.2
- Quem tem sintomas, doença conhecida ou quer treinar pesado deve conversar com um médico antes.1
Atualizado em outubro de 2026.
“Preciso fazer exames antes de entrar na academia?” A dúvida é comum — e, às vezes, vira motivo para adiar o começo. A boa notícia é que a resposta científica é mais simples do que parece: a maioria das pessoas pode começar a se exercitar com segurança, desde que comece de forma leve a moderada e preste atenção a alguns sinais.
Este texto explica o modelo de triagem do American College of Sports Medicine (ACSM), a principal referência no assunto, e quando vale a pena passar por uma avaliação médica antes.
Por que o modelo mudou
Durante anos, as recomendações mandavam muita gente ao médico antes de se exercitar, com base em fatores de risco como idade, colesterol ou tabagismo. Em 2014, um grupo do ACSM revisou essas regras e observou que elas podiam gerar encaminhamentos médicos excessivos, criando uma barreira para quem queria começar.1
O grupo levou em conta três constatações: o exercício é seguro para a maioria das pessoas; os eventos cardiovasculares relacionados ao exercício costumam ser precedidos de sinais ou sintomas de alerta; e o risco cardiovascular do exercício diminui à medida que a pessoa fica mais ativa e condicionada.1
Os três fatores que definem a necessidade de avaliação
O modelo atualizado considera:1
- Se a pessoa já se exercita regularmente ou se está parada.
- Se tem sinais ou sintomas, ou doença cardiovascular, metabólica (como diabetes) ou renal conhecida.
- A intensidade de exercício que pretende fazer — leve, moderada ou vigorosa.
Os fatores de risco continuam importantes para a prevenção de doenças, mas deixaram de fazer parte da triagem pré-exercício.1 Na prática, isso leva a três tipos de resultado: liberação sem avaliação médica, liberação para intensidade moderada com avaliação antes de treinar pesado, ou avaliação médica antes de começar. Num programa de exercício para idosos que aplicou essa triagem, 59,7% não precisaram de liberação médica, 10,4% puderam fazer exercício moderado sem liberação (com liberação para o vigoroso) e 29,9% precisaram de liberação antes de começar.3
Quem deve conversar com o médico antes
Atenção: este quadro resume o modelo, não substitui a triagem individual
Ele é baseado nos três fatores do ACSM.1 Em caso de dúvida, a avaliação é o caminho mais seguro.
- Quem tem sintomas que podem ser do coração ou do pulmão, como dor ou aperto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, desmaio, tontura forte ou palpitações. Nesse caso, o ideal é parar e procurar avaliação antes de qualquer treino.
- Quem tem doença cardiovascular, diabetes ou doença renal conhecida e está parado: a orientação é passar por avaliação antes de começar.
- Quem quer partir para treino vigoroso — corrida intensa, HIIT, competições — sem ter o hábito de se exercitar.
- Quem usa remédios que alteram a resposta ao exercício ou tem uma condição que preocupa.
No diabetes, por exemplo, uma revisão sobre testes de esforço destaca que a avaliação médica antes do exercício não é necessária para pessoas sem sintomas, em acompanhamento regular, que queiram começar atividade leve ou moderada que não ultrapasse a exigência de uma caminhada rápida ou das atividades do dia a dia.4
Qual é o risco real?
Num grande estudo populacional nos Estados Unidos, entre 1.247 paradas cardíacas súbitas em pessoas de 35 a 65 anos, 63 (5%) aconteceram durante atividade esportiva.2 Os autores concluem que isso reforça a natureza de alto benefício e baixo risco do esporte.2
Dois dados do mesmo estudo chamam atenção: entre os que tiveram parada durante o esporte, 56% tinham pelo menos um fator de risco cardiovascular e 36% tinham sintomas cardiovasculares típicos na semana anterior.2 Ou seja, em boa parte dos casos havia algum aviso.
Se você sente algum sintoma durante o treino, leia também dor no peito e outros sinais de alerta no exercício.
O que uma avaliação médica pode incluir
A avaliação pré-participação é individual. Em geral envolve história clínica (sintomas, doenças, remédios, histórico familiar de morte súbita ou doença cardíaca precoce), exame físico e, quando indicado, exames complementares como eletrocardiograma ou teste de esforço. Ela também é o momento de ajustar o tipo e a intensidade do treino aos seus objetivos — seja emagrecer com saúde, ganhar massa muscular ou controlar a pressão e o diabetes.
Se você foi liberado, como começar
- Comece com intensidade leve a moderada e aumente aos poucos.
- Use a sensação de esforço como guia: no moderado, dá para falar frases curtas, mas não cantar.
- Se quiser usar a frequência cardíaca, a calculadora de FC máxima e zonas de treino ajuda a estimar as faixas.
- Pare e procure avaliação se aparecer dor no peito, falta de ar desproporcional, desmaio ou palpitações.
Perguntas frequentes sobre avaliação antes de treinar
Preciso de atestado médico para entrar na academia?
Do ponto de vista científico, a maioria das pessoas sem sintomas e sem doença cardiovascular, metabólica ou renal pode começar exercício leve a moderado sem avaliação prévia, segundo o modelo do American College of Sports Medicine. Algumas academias e legislações locais podem ter exigências próprias.
Quem tem diabetes precisa de avaliação antes de treinar?
Quem tem diabetes e está parado deve conversar com o médico antes, especialmente se pretende fazer exercício vigoroso. Para atividade leve ou moderada, como caminhada rápida, a avaliação prévia não é considerada necessária em quem não tem sintomas e faz acompanhamento regular.
Quais sintomas indicam que devo procurar um médico antes de treinar?
Dor ou aperto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, desmaio, tontura forte e palpitações. Esses sinais pedem avaliação antes de qualquer treino.
Fazer exercício aumenta o risco de infarto?
Para a maioria das pessoas, o exercício é seguro, e o risco cardiovascular ligado a ele diminui à medida que a pessoa fica mais ativa e condicionada. Num estudo com adultos de 35 a 65 anos, apenas 5% das paradas cardíacas aconteceram durante o esporte.
Quem tem mais de 40 anos precisa de teste ergométrico antes de correr?
Não pela idade sozinha. O modelo atual do ACSM não usa fatores de risco como idade para decidir a avaliação; leva em conta o nível de atividade atual, a presença de sintomas ou doenças e a intensidade pretendida.
Referências
- Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, Garber CE, Whitfield GP, Magal M, et al. Updating ACSM's Recommendations for Exercise Preparticipation Health Screening. Med Sci Sports Exerc. 2015;47(11):2473-9. doi:10.1249/MSS.0000000000000664
- Marijon E, Uy-Evanado A, Reinier K, Teodorescu C, Narayanan K, Jouven X, et al. Sudden cardiac arrest during sports activity in middle age. Circulation. 2015;131(16):1384-91. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.114.011988
- Arena SK, Wilson CM, Boright L, Webster O, Pawlitz C, Kovary C, et al. Medical Clearance of Older Adults Participating in Preventative Direct Access Physical Therapy. Cureus. 2023;15(3):e35784. doi:10.7759/cureus.35784
- Kosinski C, Besson C, Amati F. Exercise Testing in Individuals With Diabetes, Practical Considerations for Exercise Physiologists. Front Physiol. 2019;10:1257. doi:10.3389/fphys.2019.01257

