Resposta rápida
- Na maioria das pessoas, sim, boa parte do peso volta. Um ano depois de parar a semaglutida, os participantes do estudo STEP 1 recuperaram cerca de dois terços do peso que tinham perdido.1
- Com a tirzepatida, o padrão foi parecido. Quem trocou o remédio por placebo ganhou em média 14% do peso em um ano; quem continuou perdeu mais 5,5%.2
- O reganho começa cedo: uma meta-análise viu aumento significativo do peso já 8 semanas após a suspensão.3
- Quem perdeu mais tende a recuperar mais quilos, em proporção ao que perdeu.4
- O exercício parece ajudar a segurar o resultado: um ano depois de parar o tratamento, quem tinha feito exercício supervisionado manteve o peso melhor do que quem usou só o remédio.6
Atualizado em outubro de 2026.
Semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) mudaram o tratamento da obesidade. Mas uma pergunta aparece em quase toda consulta: e se eu parar? Por custo, efeitos colaterais, gravidez planejada ou simplesmente por ter chegado à meta, muita gente interrompe o tratamento.
Este texto resume o que os ensaios clínicos e as meta-análises mostram sobre o peso depois da suspensão, com números e limitações. Para entender como as canetas funcionam, veja o guia completo das canetas emagrecedoras. Nada aqui substitui a avaliação de quem acompanha o seu tratamento: não suspenda nem altere a dose por conta própria.
O que acontece ao parar a semaglutida
O estudo STEP 1 tratou adultos com obesidade (ou sobrepeso com alguma doença associada) por 68 semanas com semaglutida 2,4 mg semanal ou placebo, junto com orientação de estilo de vida. Depois, tudo foi suspenso — remédio e acompanhamento — e um grupo de 327 participantes foi seguido por mais um ano.1
- Durante o tratamento, quem usou semaglutida perdeu em média 17,3% do peso; no placebo, 2,0%.1
- Um ano após a suspensão, o grupo da semaglutida recuperou 11,6 pontos percentuais do peso perdido, o que corresponde a cerca de dois terços da perda.1
- As melhoras em fatores de risco cardiometabólicos obtidas no tratamento voltaram em direção aos valores iniciais na maioria das variáveis.1
Os autores concluem que os resultados confirmam que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento contínuo parece necessário para manter os benefícios.1
E ao parar a tirzepatida
O SURMOUNT-4 testou isso de forma ainda mais direta. Todos os 783 participantes usaram tirzepatida na dose máxima tolerada por 36 semanas. Os 670 que completaram essa fase, com perda média de 20,9% do peso, foram sorteados para continuar a tirzepatida ou trocar por placebo por mais 52 semanas.2
| Grupo (semana 36 a 88) | Mudança de peso | Mantiveram ao menos 80% da perda |
|---|---|---|
| Continuou a tirzepatida | −5,5% | 89,5% |
| Trocou por placebo | +14,0% | 16,6% |
Mesmo assim, ao fim das 88 semanas, o grupo que parou ainda estava em média 9,9% abaixo do peso inicial, contra 25,3% de quem continuou.2 Ou seja: parar não apagou todo o resultado naquele período, mas a tendência era de subida.
Em quanto tempo o peso volta
Uma meta-análise de ensaios com remédios para obesidade acompanhou o peso nas semanas após a suspensão. Quatro semanas depois de parar, ainda não havia diferença significativa; a partir de 8 semanas, o reganho já era significativo e continuou até 20 semanas. Esse reganho significativo após 12 semanas apareceu apenas nos estudos com medicamentos da classe do GLP-1.3
Outra análise de 2026, que reuniu 6 estudos com 1.776 participantes que pararam semaglutida ou tirzepatida, estimou um reganho médio de cerca de 1 kg por mês. Pelo modelo, metade do peso perdido voltaria em cerca de 7,5 meses.5 Os autores alertam que as projeções além de um ano são extrapolações e devem ser lidas com cautela.5
Quem perdeu mais recupera mais?
Em quilos, sim. Numa meta-análise de 8 ensaios randomizados com 2.372 participantes, o reganho após a suspensão foi proporcional à perda original: em média 2,2 kg com a liraglutida e 9,7 kg com semaglutida ou tirzepatida, que levam a perdas maiores.4 Os autores observaram reganho mesmo com intervenções de estilo de vida e defendem que esses remédios sejam vistos como terapia crônica.4
Por que o peso volta?
Os remédios agem enquanto estão no corpo: reduzem a fome e aumentam a saciedade. Quando saem, esse efeito acaba, e o organismo — que tende a defender o peso anterior — volta a pedir mais comida. É o mesmo mecanismo que explica o efeito sanfona depois de dietas.
O exercício ajuda a manter?
Os dados mais interessantes vêm de um estudo dinamarquês. Adultos com obesidade perderam em média 13,1 kg com uma dieta de baixa caloria e depois passaram um ano em uma de quatro estratégias de manutenção: exercício supervisionado, liraglutida, os dois combinados ou placebo. Depois, todo o tratamento foi suspenso e eles foram reavaliados um ano mais tarde.6
- No ano seguinte à suspensão, quem tinha usado só liraglutida recuperou 6,0 kg a mais do que quem tinha feito só exercício.6
- Quem tinha feito exercício teve mais chance de ainda manter uma perda de pelo menos 10% do peso inicial do que o grupo placebo.6
- A combinação exercício + remédio terminou com 5,1 kg a menos e menor porcentagem de gordura do que o remédio sozinho, um ano após a suspensão.6
Os autores concluem que somar exercício supervisionado ao tratamento com remédio parece melhorar a manutenção do peso depois que o tratamento acaba.6 O estudo usou liraglutida, uma medicação da mesma classe porém menos potente; não dá para transpor os números diretamente para a semaglutida ou a tirzepatida.
Se for parar, o que fazer
Atenção: orientação prática
Os pontos abaixo não vêm de um ensaio específico; são uma estratégia clínica coerente com os dados acima.
- Decida junto com o médico. Em alguns casos é possível reduzir a dose aos poucos ou espaçar as aplicações; em outros, faz sentido manter a menor dose eficaz.
- Comece o treino de força durante o tratamento, não depois. Ele ajuda a preservar a massa muscular, que tende a cair junto com o peso — veja como não perder músculo usando as canetas.
- Acompanhe o peso e a cintura nas primeiras semanas após parar, já que o reganho costuma começar entre 1 e 2 meses.
- Tenha um plano de alimentação e de proteína pronto para quando a fome voltar.
- Reavalie em consulta se o peso subir de forma rápida: retomar o tratamento é uma opção a ser discutida.
Como ler esses números
Os ensaios foram feitos com remédio de origem, doses definidas e acompanhamento rigoroso, em adultos sem diabetes na maioria dos casos. Na vida real, pessoas param por motivos diferentes, em momentos diferentes. Além disso, as médias escondem variações grandes: há quem mantenha quase todo o peso perdido e há quem recupere tudo.
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Perguntas frequentes sobre parar as canetas
Quem para o Ozempic engorda tudo de novo?
Nem sempre tudo, mas a maioria recupera boa parte. No estudo STEP 1, um ano após parar a semaglutida, os participantes tinham recuperado cerca de dois terços do peso perdido.
Em quanto tempo o peso volta depois de parar o Mounjaro?
No estudo SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo ganhou em média 14% do peso em um ano. Uma meta-análise viu reganho significativo já a partir de 8 semanas após a suspensão de remédios para obesidade.
Dá para parar a caneta sem engordar?
Os estudos mostram reganho na maioria das pessoas. O exercício parece ajudar: num estudo dinamarquês, quem fez exercício supervisionado manteve o peso melhor no ano seguinte à suspensão do tratamento do que quem usou só o remédio.
Preciso usar a caneta para sempre?
Os autores dos principais estudos defendem que esses remédios sejam vistos como tratamento crônico, como se faz com remédios para pressão. A decisão de manter, reduzir ou parar deve ser individual e feita com o médico.
Os benefícios para a saúde também se perdem?
No STEP 1, as melhoras em fatores de risco cardiometabólicos obtidas durante o tratamento voltaram em direção aos valores iniciais na maioria das variáveis um ano após a suspensão.
Referências
- Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, Van Gaal LF, Kandler K, Konakli K, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes Obes Metab. 2022;24(8):1553-1564. doi:10.1111/dom.14725
- Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, Bays HE, Wharton S, Lin WY, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331(1):38-48. doi:10.1001/jama.2023.24945
- Wu H, Yang W, Guo T, Cai X, Ji L. Trajectory of the body weight after drug discontinuation in the treatment of anti-obesity medications. BMC Med. 2025;23(1):398. doi:10.1186/s12916-025-04200-0
- Berg S, Stickle H, Rose SJ, Nemec EC. Discontinuing glucagon-like peptide-1 receptor agonists and body habitus: A systematic review and meta-analysis. Obes Rev. 2025;26(8):e13929. doi:10.1111/obr.13929
- Kow CS, Thiruchelvam K, Ramachandram DS, Zaihan AF. Weight Regain Trajectories After Discontinuation of Semaglutide or Tirzepatide: A Reconstructed Aggregate-Data Bayesian Longitudinal Meta-Analysis. Endocrinol Diabetes Metab. 2026;9(5):e70325. doi:10.1002/edm2.70325
- Jensen SBK, Blond MB, Sandsdal RM, Olsen LM, Juhl CR, Lundgren JR, et al. Healthy weight loss maintenance with exercise, GLP-1 receptor agonist, or both combined followed by one year without treatment: a post-treatment analysis of a randomised placebo-controlled trial. EClinicalMedicine. 2024;69:102475. doi:10.1016/j.eclinm.2024.102475

