Resposta rápida
- O diagnóstico exige sintomas e exames. A diretriz da Endocrine Society recomenda diagnosticar hipogonadismo só em homens com sintomas e sinais compatíveis e testosterona claramente baixa em mais de uma dosagem.1
- O exame deve ser feito em jejum, pela manhã, e repetido para confirmar.1
- A reposição melhora a função sexual e a qualidade de vida em homens com hipogonadismo, segundo uma grande síntese de estudos.3
- No maior ensaio sobre segurança, a reposição não aumentou eventos cardiovasculares graves em homens de 45 a 80 anos com doença cardiovascular ou alto risco, mas houve mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda.2
- Perder peso aumenta a testosterona em homens com obesidade.4
Atualizado em outubro de 2026.
Cansaço, queda da libido, menos força, mau humor. Esses sintomas fazem muitos homens se perguntarem se estão com “testosterona baixa” — e a reposição hormonal virou assunto frequente nas redes e nas academias.
Este texto explica como o diagnóstico deve ser feito, quando o tratamento é indicado, quem não deve repor e o que os estudos mais recentes mostram sobre a segurança. Ele trata da reposição em homens com deficiência diagnosticada — não do uso de hormônios para ganho de músculo, que é outro assunto (veja os riscos dos anabolizantes).
Quais são os sintomas
A testosterona baixa (hipogonadismo masculino) se associa a disfunção sexual, cansaço, redução da força muscular e da qualidade de vida.3 Mas esses sintomas são inespecíficos: sono ruim, estresse, depressão, obesidade, excesso de álcool e várias doenças podem causar o mesmo quadro. Por isso, sintoma sozinho não fecha diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico
A diretriz da Endocrine Society, uma das principais referências no assunto, recomenda:1
- Diagnosticar apenas quem tem sintomas e sinais compatíveis com deficiência de testosterona e níveis de testosterona inequivocamente e consistentemente baixos.
- Dosar a testosterona total pela manhã, em jejum, com um método laboratorial confiável.
- Repetir a dosagem para confirmar.
- Quando o valor está perto do limite inferior ou há condições que alteram a proteína que transporta o hormônio (SHBG), medir ou calcular a testosterona livre.
- Confirmada a deficiência, investigar a causa.
Um exame alterado não basta
A testosterona varia ao longo do dia e pode cair temporariamente com doenças agudas, noites mal dormidas e restrição calórica intensa. Por isso a diretriz pede exame de manhã, em jejum, confirmado em uma segunda dosagem.1
Quando a reposição é indicada
A diretriz recomenda a reposição para homens com deficiência sintomática de testosterona, depois de discutir benefícios, riscos e a necessidade de acompanhamento, com o paciente participando da decisão.1 Durante o tratamento, a meta é manter a testosterona na faixa média do normal, com monitoramento de sintomas, efeitos adversos, testosterona, hematócrito e risco de câncer de próstata no primeiro ano.1
Uma grande síntese de 35 ensaios com 5.601 participantes concluiu que a reposição melhora a função sexual e a qualidade de vida, sem efeitos adversos sobre pressão arterial, colesterol ou glicemia.3
Quem não deve fazer reposição
A diretriz recomenda não iniciar a reposição em homens que:1
- planejam ter filhos em breve;
- têm câncer de mama ou de próstata, nódulo prostático palpável ou PSA elevado sem avaliação urológica;
- têm hematócrito elevado;
- têm apneia do sono grave não tratada ou sintomas urinários graves;
- têm insuficiência cardíaca descompensada, tiveram infarto ou AVC nos últimos 6 meses, ou têm trombofilia.
Fertilidade
A testosterona usada como tratamento pode reduzir a produção de espermatozoides. É por isso que a diretriz recomenda não iniciar a reposição em quem planeja ter filhos em breve.1 Quem tem esse plano deve conversar com o médico sobre alternativas.
E o risco para o coração?
Essa foi, por anos, a maior dúvida. O ensaio TRAVERSE, publicado em 2023, incluiu 5.246 homens de 45 a 80 anos com doença cardiovascular ou alto risco, sintomas de hipogonadismo e duas dosagens de testosterona abaixo de 300 ng/dL. Eles receberam gel de testosterona ou placebo.2
- Eventos cardiovasculares graves (morte cardiovascular, infarto ou AVC) ocorreram em 7,0% no grupo da testosterona e em 7,3% no placebo — a reposição não foi inferior ao placebo em segurança.2
- Mas houve mais fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo da testosterona.2
A síntese de 35 ensaios também não encontrou relação entre a reposição e eventos cardiovasculares ou cerebrovasculares no curto e médio prazo, e pede estudos de longo prazo.3
Perder peso aumenta a testosterona
Em homens com obesidade, uma meta-análise de 24 estudos mostrou que a perda de peso aumenta a testosterona, tanto com dieta de baixa caloria quanto, de forma mais intensa, com cirurgia bariátrica. Quanto mais peso perdido, maior o aumento.4 Ou seja: em muitos casos, tratar a obesidade é parte essencial do tratamento — veja o guia para emagrecer com saúde.
Perguntas frequentes sobre testosterona baixa
Quais são os sintomas de testosterona baixa?
A testosterona baixa se associa a disfunção sexual, cansaço, redução da força muscular e da qualidade de vida. Esses sintomas são inespecíficos e podem ter outras causas, por isso o diagnóstico depende também de exames.
Como saber se minha testosterona está baixa?
Pela dosagem da testosterona total no sangue, pela manhã e em jejum, repetida para confirmar. Em alguns casos é preciso medir ou calcular a testosterona livre. O diagnóstico exige também sintomas compatíveis.
Reposição de testosterona faz mal ao coração?
No ensaio TRAVERSE, com 5.246 homens de alto risco cardiovascular, a reposição não aumentou eventos cardiovasculares graves em comparação com placebo, mas houve mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda.
Quem não pode fazer reposição de testosterona?
Segundo a Endocrine Society, homens que planejam ter filhos em breve, com câncer de mama ou de próstata, PSA elevado sem avaliação, hematócrito alto, apneia grave não tratada, insuficiência cardíaca descompensada, infarto ou AVC recentes, ou trombofilia.
Emagrecer aumenta a testosterona?
Sim. Uma meta-análise mostrou que a perda de peso, com dieta ou cirurgia bariátrica, aumenta a testosterona em homens com obesidade, e o aumento é maior quanto mais peso é perdido.
Referências
- Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, Hayes FJ, Hodis HN, Matsumoto AM, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744. doi:10.1210/jc.2018-00229
- Lincoff AM, Bhasin S, Flevaris P, Mitchell LM, Basaria S, Boden WE, et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. N Engl J Med. 2023;389(2):107-117. doi:10.1056/NEJMoa2215025
- Cruickshank M, Hudson J, Hernández R, Aceves-Martins M, Quinton R, Gillies K, et al. The effects and safety of testosterone replacement therapy for men with hypogonadism: the TestES evidence synthesis and economic evaluation. Health Technol Assess. 2024;28(43):1-210. doi:10.3310/JRYT3981
- Corona G, Rastrelli G, Monami M, Saad F, Luconi M, Lucchese M, et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. Eur J Endocrinol. 2013;168(6):829-43. doi:10.1530/EJE-12-0955

