Resposta rápida
- Em 11 anos de acompanhamento, usuários de anabolizantes tiveram cerca de 3 vezes mais infarto e insuficiência cardíaca do que homens da população geral, e quase 9 vezes mais cardiomiopatia.1
- A mortalidade foi 3 vezes maior entre usuários flagrados em academias da Dinamarca do que em homens que não usavam.2
- O uso eleva a pressão, o LDL e as enzimas do fígado, segundo uma meta-análise de 2025.3
- A testosterona pode ficar baixa anos depois de parar: ex-usuários tinham testosterona menor e mais sintomas de hipogonadismo em média 2,5 anos após a interrupção.4
- Se você usa ou usou, procure avaliação médica sem julgamento: há exames e cuidados que reduzem riscos.
Atualizado em outubro de 2026.
Esteroides anabolizantes são derivados sintéticos da testosterona usados para ganhar massa muscular.3 Fora do tratamento médico de deficiências hormonais, o uso estético e esportivo é comum nas academias — e os riscos, muitas vezes, são minimizados.
Este texto resume o que os estudos de maior qualidade mostram sobre os efeitos no coração, no fígado e nos hormônios. Não é um texto para julgar quem usa: é informação para decidir e, se for o caso, para procurar acompanhamento. A reposição de testosterona em homens com deficiência diagnosticada é outro assunto — veja testosterona baixa: quando tratar.
O que acontece com o coração
O estudo mais robusto acompanhou 1.189 homens flagrados por uso de anabolizantes em academias da Dinamarca, comparados a 59.450 homens da população geral com a mesma idade, por cerca de 11 anos.1
| Evento | Risco nos usuários (comparado com não usuários) |
|---|---|
| Infarto | 3,0 vezes maior |
| Angioplastia ou cirurgia de ponte de safena | 2,95 vezes maior |
| Trombose venosa ou embolia | 2,42 vezes maior |
| Arritmias | 2,26 vezes maior |
| Cardiomiopatia (doença do músculo do coração) | 8,9 vezes maior |
| Insuficiência cardíaca | 3,63 vezes maior |
Os autores concluem que o uso de anabolizantes está associado a um risco substancialmente maior de doença cardiovascular.1 Lembrando que esses homens foram identificados em academias de ginástica.
Mortalidade e internações
Um estudo anterior, do mesmo país, comparou 545 homens com teste positivo para anabolizantes em academias com 5.450 homens sem uso.2
- A mortalidade foi 3 vezes maior entre os usuários.2
- Eles tiveram mais que o dobro de contatos hospitalares por ano (mediana de 0,81 contra 0,36).2
- Acne, ginecomastia (crescimento das mamas) e disfunção erétil afetaram mais de 10% dos usuários.2
Os resultados se repetiram num segundo grupo, de homens que se recusaram a fazer o teste antidoping.2
O que muda nos exames
Uma meta-análise de 2025 reuniu estudos com atletas e praticantes de atividade física que usavam anabolizantes.3
- Pressão arterial: cerca de 12 mmHg a mais na sistólica e 8 mmHg a mais na diastólica.3
- LDL (“colesterol ruim”): cerca de 9 mg/dL a mais.3
- Fígado: aumento das enzimas AST e ALT, sugerindo sobrecarga ou lesão hepática.3
- Hormônios: queda importante da testosterona produzida pelo próprio corpo.3
E depois de parar?
O corpo diminui a própria produção de testosterona durante o uso — e ela nem sempre volta ao normal. Num estudo com homens que treinavam força:4
- Ex-usuários, em média 2,5 anos depois de parar, tinham testosterona total e livre menor que homens que nunca usaram.4
- 27% dos ex-usuários estavam abaixo do limite inferior de referência; nenhum dos não usuários estava.4
- Os ex-usuários relataram com mais frequência sintomas depressivos, disfunção erétil e queda da libido.4
- Nos usuários atuais, os marcadores ligados à produção de espermatozoides estavam muito reduzidos.4
Fertilidade e humor
Os dados sugerem que o impacto dos anabolizantes pode durar além do ciclo: produção de espermatozoides reduzida durante o uso e sintomas de hipogonadismo anos depois.4 Quem planeja ter filhos ou percebe mudanças de humor após parar deve procurar avaliação.
Como ler esses estudos
São estudos observacionais: mostram associação, não provam causa e efeito, e usuários de anabolizantes podem diferir dos não usuários em outros hábitos. Ainda assim, a consistência dos achados — no coração, nos exames, nos hormônios — e a força das associações tornam o sinal de alerta difícil de ignorar. Além disso, produtos comprados sem receita não têm garantia de composição nem de dose.
Se você usa ou já usou
Atenção: orientação prática
Os pontos abaixo são cuidados clínicos gerais, não resultados dos estudos citados.
- Procure um médico e conte sobre o uso. O atendimento é sigiloso, e saber o que foi usado muda a avaliação.
- Faça avaliação cardiovascular: pressão, perfil lipídico, eletrocardiograma e, conforme o caso, ecocardiograma.
- Avalie fígado, hematócrito e hormônios.
- Não pare ou inicie hormônios por conta própria para “recuperar o eixo”; isso deve ser planejado com o médico.
- Para ganhar músculo com segurança, treino bem planejado, proteína suficiente e sono funcionam — veja quantas séries por semana para hipertrofia e creatina.
Perguntas frequentes sobre anabolizantes
Anabolizante faz mal ao coração?
Os estudos indicam que sim. Num acompanhamento de 11 anos na Dinamarca, usuários tiveram cerca de 3 vezes mais infarto e insuficiência cardíaca e quase 9 vezes mais cardiomiopatia do que homens da população geral.
Anabolizante aumenta a pressão?
Sim. Uma meta-análise de 2025 mostrou aumento médio de cerca de 12 mmHg na pressão sistólica e 8 mmHg na diastólica em usuários de anabolizantes.
A testosterona volta ao normal depois de parar o anabolizante?
Nem sempre. Num estudo, ex-usuários tinham testosterona mais baixa e mais sintomas de hipogonadismo em média 2,5 anos após parar, e 27% estavam abaixo do limite de referência.
Anabolizante causa infertilidade?
Pode prejudicar a produção de espermatozoides. Num estudo, usuários atuais tinham marcadores muito reduzidos de produção de espermatozoides.
Quem usou anabolizante deve fazer quais exames?
A avaliação é individual, mas costuma incluir pressão arterial, perfil lipídico, função do fígado, hematócrito, hormônios e avaliação cardíaca, como eletrocardiograma e, conforme o caso, ecocardiograma.
Referências
- Windfeld-Mathiasen J, Heerfordt IM, Dalhoff KP, Andersen JT, Andersen MA, Johansson KS, et al. Cardiovascular Disease in Anabolic Androgenic Steroid Users. Circulation. 2025;151(12):828-834. doi:10.1161/CIRCULATIONAHA.124.071117
- Horwitz H, Andersen JT, Dalhoff KP. Health consequences of androgenic anabolic steroid use. J Intern Med. 2019;285(3):333-340. doi:10.1111/joim.12850
- Mingxing L, Yanfei Y. Adverse Effects of Anabolic Androgenic Steroid Abuse in Athletes and Physically Active Individuals: A Systematic Review and Meta-Analysis. Subst Use Misuse. 2025;60(6):873-887. doi:10.1080/10826084.2025.2460986
- Rasmussen JJ, Selmer C, Østergren PB, Pedersen KB, Schou M, Gustafsson F, et al. Former Abusers of Anabolic Androgenic Steroids Exhibit Decreased Testosterone Levels and Hypogonadal Symptoms Years after Cessation: A Case-Control Study. PLoS One. 2016;11(8):e0161208. doi:10.1371/journal.pone.0161208

