PRP funciona? O que os estudos mostram sobre plasma rico em plaquetas no joelho e nos tendões

O plasma rico em plaquetas (PRP) é cada vez mais usado em artrose e tendinites. Veja o que mostram os ensaios com placebo e as meta-análises, e onde a evidência é fraca.

Dr. Carlos O. MagnoMédico · CRM-SP 270302 · Residente em Medicina Esportiva — USP
PRP funciona? O que os estudos mostram sobre plasma rico em plaquetas no joelho e nos tendões

Resposta rápida

  • Na artrose do joelho, o melhor ensaio com placebo foi negativo. Em 288 pessoas, três injeções de PRP não reduziram a dor nem preservaram a cartilagem melhor do que soro fisiológico em 12 meses.1
  • Meta-análises com estudos menores mostram alívio da dor, mas com grande variação entre os estudos.2
  • Nas tendinopatias, a evidência é fraca: numa meta-análise de 33 ensaios, não houve diferença clara em relação aos grupos controle em cotovelo, fáscia plantar, tendão de Aquiles, manguito rotador e patelar.3
  • No tendão de Aquiles, o PRP não foi melhor que placebo, e os autores recomendam não usá-lo até haver estudos de qualidade mostrando benefício.4
  • O PRP não é primeira linha. Exercício, perda de peso e fisioterapia continuam sendo a base do tratamento.

Atualizado em outubro de 2026.

O plasma rico em plaquetas (PRP) é preparado a partir do sangue da própria pessoa: o sangue é centrifugado para concentrar as plaquetas, que liberam fatores de crescimento, e depois injetado na articulação ou no tendão. A ideia é estimular a cicatrização.

O tratamento se popularizou em clínicas e entre atletas — e costuma ter custo alto. Este texto resume o que os ensaios clínicos mostram, separando os estudos de melhor qualidade dos mais frágeis.

Artrose do joelho

O ensaio de referência. O estudo RESTORE, publicado no JAMA em 2021, sorteou 288 pessoas com 50 anos ou mais e artrose leve a moderada do joelho para receber três injeções semanais de PRP ou de soro fisiológico (placebo). Nem os participantes, nem quem aplicava, nem quem avaliava sabiam qual era qual.1

  • Em 12 meses, a dor caiu 2,1 pontos com o PRP e 1,8 pontos com o placebo, numa escala de 0 a 10 — sem diferença significativa.1
  • A perda de volume de cartilagem na ressonância também foi semelhante.1
  • Dos 31 desfechos secundários, 29 não mostraram diferença.1

Os autores concluem que os achados não apoiam o uso do PRP na artrose do joelho e lembram que a maioria das diretrizes não o recomenda por falta de evidência de alta qualidade.1 Repare que o grupo placebo também melhorou bastante: injeções de soro aliviam a dor em muitas pessoas, o que mostra por que estudos sem placebo enganam.

As meta-análises. Uma meta-análise de 24 ensaios com 1.344 pacientes com artrose mostrou que o PRP reduziu a dor no joelho em cerca de 1 ponto (escala de 0 a 10) em comparação com os grupos controle, e o PRP pobre em leucócitos pareceu mais eficaz.2 Mas houve grande variação entre os estudos, que usaram comparações diferentes — nem todos contra placebo.2

Tendinites e tendinopatias

Uma meta-análise de 33 ensaios com 2.025 pessoas avaliou injeções de PRP guiadas por ultrassom em vários tendões.3

  • Não houve diferença clara em relação aos grupos controle em epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”), fascite plantar e tendinopatias do Aquiles, do manguito rotador e patelar.3
  • Houve benefício na síndrome do túnel do carpo.3
  • A certeza da evidência foi baixa ou muito baixa em todas as comparações, e a dor no local da injeção foi mais comum com o PRP.3

Tendão de Aquiles. Uma meta-análise de 6 ensaios randomizados (422 pacientes) não encontrou benefício do PRP sobre o placebo na dor nem na função em 3 meses, 6 meses ou 1 ano.4 Os autores identificaram sinais de viés de publicação — os benefícios aparentes podem estar inflados — e recomendam que o PRP não seja usado no Aquiles até que estudos de qualidade mostrem benefício claro.4

Por que tanta controvérsia

Os preparos de PRP variam muito (concentração de plaquetas, presença de leucócitos, número de injeções), e muitos estudos são pequenos, sem placebo ou com risco de viés. Os poucos ensaios grandes e bem controlados tendem a ser negativos.

O que tem evidência mais forte

  • Na artrose do joelho: exercício terapêutico, fortalecimento e perda de peso quando há excesso de peso. Veja o guia de dor no joelho.
  • Nas tendinopatias: programas de carga progressiva e ajuste do treino. Veja também dor no joelho ao correr.
  • Em todos os casos: diagnóstico correto antes de qualquer injeção.

Atenção: orientação prática

Se, mesmo assim, você considerar o PRP, converse sobre o que os ensaios com placebo mostram, o custo, o número de sessões e o que será feito em paralelo (exercício e fisioterapia). Essa é uma orientação geral, não resultado de um estudo específico.

Perguntas frequentes sobre PRP

PRP funciona para artrose no joelho?

O maior ensaio com placebo, com 288 pessoas, não encontrou diferença na dor nem na cartilagem em 12 meses entre PRP e soro fisiológico. Meta-análises com estudos menores sugerem algum alívio da dor, mas com grande variação entre os estudos.

PRP funciona para tendinite?

Numa meta-análise de 33 ensaios, não houve diferença clara entre PRP e os grupos controle em cotovelo de tenista, fascite plantar e tendinopatias do Aquiles, manguito rotador e patelar. A certeza da evidência foi baixa.

PRP no tendão de Aquiles funciona?

Numa meta-análise de 6 ensaios, o PRP não foi melhor que placebo na dor nem na função até 1 ano, e os autores recomendam não usá-lo até haver estudos de qualidade mostrando benefício.

PRP regenera a cartilagem?

No ensaio RESTORE, a perda de volume de cartilagem na ressonância foi semelhante com PRP e com placebo em 12 meses.

PRP tem efeitos colaterais?

Numa meta-análise de tendinopatias, a dor no local da injeção foi mais comum com o PRP do que com outras injeções.

Referências

  1. Bennell KL, Paterson KL, Metcalf BR, Duong V, Eyles J, Kasza J, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(20):2021-2030. doi:10.1001/jama.2021.19415
  2. Xiong Y, Gong C, Peng X, Liu X, Su X, Tao X, et al. Efficacy and safety of platelet-rich plasma injections for the treatment of osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Front Med (Lausanne). 2023;10:1204144. doi:10.3389/fmed.2023.1204144
  3. Masiello F, Pati I, Veropalumbo E, Pupella S, Cruciani M, De Angelis V. Ultrasound-guided injection of platelet-rich plasma for tendinopathies: a systematic review and meta-analysis. Blood Transfus. 2023;21(2):119-136. doi:10.2450/2022.0087-22
  4. Barreto ESR, Antunes Júnior CR, Silva IC, Alencar VB, Faleiro TB, Kraychete DC. Is Platelet-rich Plasma Effective in Treating Achilles Tendinopathy? A Meta-analysis of Randomized Clinical Trials. Clin Orthop Relat Res. 2025;483(5):779-790. doi:10.1097/CORR.0000000000003349
Dr. Carlos O. Magno
Sobre o autor

Dr. Carlos O. Magno

Médico (CRM-SP 270302), residente em Medicina Esportiva pela Universidade de São Paulo (USP) e graduado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atua com Medicina Esportiva e Medicina do Estilo de Vida na Vila Madalena, em São Paulo.

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Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica individual. Não inicie, suspenda ou altere tratamentos sem orientação profissional.

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