Resposta rápida
- Na lesão degenerativa, a cirurgia não foi melhor que uma cirurgia simulada. Num ensaio com 146 pessoas de 35 a 65 anos, a retirada parcial do menisco teve resultado igual ao de uma operação “de mentira”.1
- A fisioterapia foi tão boa quanto a cirurgia para a função do joelho em pessoas de 45 a 70 anos com lesão sem travamento, num acompanhamento de 2 anos.3
- Com artrose leve a moderada, também não houve diferença entre cirurgia e fisioterapia em 6 e 12 meses, mas 30% do grupo da fisioterapia acabou operando.2
- No atleta, a situação é outra: em cirurgias de menisco, a volta ao esporte passou de 94% e a volta ao mesmo nível, de 77%.4
- Travamento do joelho, lesão traumática em jovem e lesão associada a ligamento pedem avaliação específica. Em lesões degenerativas, a revisão recomenda o tratamento conservador como primeira opção.5
Atualizado em outubro de 2026.
A ressonância mostrou “lesão de menisco” e a primeira pergunta é: vou ter que operar? A resposta depende muito do tipo de lesão, da idade e dos sintomas. Nas últimas décadas, grandes ensaios clínicos mudaram a forma de tratar as lesões degenerativas — as mais comuns depois dos 40 anos.
Este texto resume o que esses estudos mostram. Ele complementa o guia sobre dor no joelho. Não substitui a avaliação: o exame físico e a história da lesão são essenciais para decidir.
Dois tipos de lesão, dois cenários
- Lesão degenerativa: aparece com o desgaste ao longo dos anos, muitas vezes sem um trauma claro, em geral a partir da meia-idade. Cerca de um em cada três joelhos de pessoas de meia-idade e idosas tem o menisco lesionado, e a maioria dessas lesões não causa sintomas — por isso é um achado comum na ressonância.5
- Lesão traumática: acontece num movimento de torção, mais comum em jovens e atletas, às vezes junto com lesão de ligamento, como o LCA.
Os grandes ensaios abaixo estudaram principalmente as lesões degenerativas.
Cirurgia contra cirurgia simulada
Um ensaio finlandês publicado no NEJM sorteou 146 pacientes de 35 a 65 anos com sintomas de lesão degenerativa do menisco medial e sem artrose para fazer a retirada parcial do menisco por artroscopia ou uma cirurgia simulada, sem a retirada do menisco. O estudo foi duplo-cego: nem os pacientes nem os avaliadores sabiam qual procedimento tinha sido feito.1
Em 12 meses, os dois grupos melhoraram de forma parecida em todos os desfechos principais, incluindo dor após o exercício.1 Os autores concluem que o resultado da retirada parcial do menisco não foi melhor do que o da cirurgia simulada.1
Fisioterapia contra cirurgia
Lesão sem travamento (estudo ESCAPE). 321 pessoas de 45 a 70 anos foram sorteadas para artroscopia ou para um programa de fisioterapia de 16 sessões em 8 semanas, com exercícios de coordenação e fortalecimento.3
- Em 24 meses, a função do joelho melhorou 26,2 pontos com a cirurgia e 20,4 com a fisioterapia — a fisioterapia foi considerada não inferior.3
- No grupo da fisioterapia, 29% acabaram operando durante o acompanhamento.3
- Os autores concluem que a fisioterapia pode ser considerada uma alternativa à cirurgia nesse tipo de lesão.3
Lesão com artrose leve a moderada (estudo METEOR). 351 pessoas com 45 anos ou mais foram sorteadas para cirurgia com fisioterapia ou apenas fisioterapia.2 Em 6 meses, a melhora da função não diferiu entre os grupos, e os resultados em 12 meses foram semelhantes.2 Mas 30% dos que começaram só com fisioterapia acabaram operando nos primeiros 6 meses.2
O que isso significa
Para a maioria das lesões degenerativas, começar com fisioterapia bem feita é uma escolha apoiada pelos estudos. Parte das pessoas não melhora o suficiente e acaba operando — e essa possibilidade continua existindo.
E no atleta?
Em atletas, as lesões costumam ser traumáticas e a decisão leva em conta a volta ao esporte e a preservação do joelho no longo prazo. Uma meta-análise de 2026 reuniu estudos de tratamento cirúrgico do menisco em atletas:4
| Cirurgia | Tempo médio para voltar ao esporte | Voltaram ao esporte | Voltaram ao mesmo nível |
|---|---|---|---|
| Retirada parcial do menisco | 2,1 meses | 98,2% | 84,4% |
| Reparo (sutura) do menisco | 5,8 meses | 96,9% | 81,3% |
| Transplante de menisco | 8,9 meses | 94,2% | 77,4% |
A retirada parcial permitiu voltar mais rápido, mas as taxas de volta ao mesmo nível não diferiram entre as técnicas.4 Os autores recomendam escolher o tratamento de forma individualizada, buscando tanto a recuperação esportiva quanto a preservação da articulação.4
Quando a cirurgia costuma ser considerada
Atenção: orientação prática
Os pontos abaixo resumem critérios clínicos usuais; os ensaios citados não estudaram essas situações.
- Joelho que trava de verdade (não dobra ou não estica) por um fragmento do menisco.
- Lesão traumática em pessoa jovem, especialmente quando o menisco pode ser reparado.
- Lesão associada a ruptura de ligamento, como o LCA.
- Sintomas que não melhoram após um período adequado de fisioterapia.
Perguntas frequentes sobre lesão de menisco
Toda lesão de menisco precisa de cirurgia?
Não. Nas lesões degenerativas, grandes ensaios mostraram que a cirurgia não foi melhor que uma cirurgia simulada e que a fisioterapia foi tão boa quanto a cirurgia para a função do joelho em pessoas de 45 a 70 anos sem travamento.
Fisioterapia resolve lesão de menisco?
Em muitos casos de lesão degenerativa, sim. No estudo ESCAPE, a fisioterapia foi não inferior à cirurgia em 2 anos, embora 29% dos pacientes do grupo da fisioterapia tenham acabado operando.
Quanto tempo depois da cirurgia de menisco volto ao esporte?
Numa meta-análise com atletas, o tempo médio foi de 2,1 meses após a retirada parcial, 5,8 meses após o reparo e 8,9 meses após o transplante de menisco.
Quando a cirurgia de menisco é indicada?
Costuma ser considerada quando o joelho trava, em lesões traumáticas em jovens que podem ser reparadas, quando há lesão de ligamento associada ou quando os sintomas não melhoram com fisioterapia. A decisão é individual.
Lesão de menisco com artrose deve ser operada?
No estudo METEOR, em pessoas com artrose leve a moderada, cirurgia e fisioterapia tiveram resultados semelhantes em 6 e 12 meses, embora 30% do grupo da fisioterapia tenham acabado operando.
Referências
- Sihvonen R, Paavola M, Malmivaara A, Itälä A, Joukainen A, Nurmi H, et al. Arthroscopic partial meniscectomy versus sham surgery for a degenerative meniscal tear. N Engl J Med. 2013;369(26):2515-24. doi:10.1056/NEJMoa1305189
- Katz JN, Brophy RH, Chaisson CE, de Chaves L, Cole BJ, Dahm DL, et al. Surgery versus physical therapy for a meniscal tear and osteoarthritis. N Engl J Med. 2013;368(18):1675-84. doi:10.1056/NEJMoa1301408
- van de Graaf VA, Noorduyn JCA, Willigenburg NW, Butter IK, de Gast A, Mol BW, et al. Effect of Early Surgery vs Physical Therapy on Knee Function Among Patients With Nonobstructive Meniscal Tears: The ESCAPE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2018;320(13):1328-1337. doi:10.1001/jama.2018.13308
- Bensa A, Piano A, Fumagalli GA, Krych AJ, Verdonk P, Filardo G. Return to sport after meniscectomy, meniscal repair, and meniscal allograft transplantation for meniscal lesions in athletes: A systematic review and meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2026. doi:10.1002/ksa.70404
- Englund M, Roemer FW, Hayashi D, Crema MD, Guermazi A. Meniscus pathology, osteoarthritis and the treatment controversy. Nat Rev Rheumatol. 2012;8(7):412-9. doi:10.1038/nrrheum.2012.69

